cicatrizes ou tatuagens?

dicas e ideias

Publicado em março 31st, 2014 | por phocus+

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por Professor Tony Gomes

APÓS CORTAR O DEDO  manuseando papéis, me veio um insight sobre as cicatrizes que temos. Eu, particularmente, tenho várias no corpo: uma no pé esquerdo, na panturrilha, na coxa direita, perto da bacia (na parte traseira do meu corpo), nos quatro dedos da mão esquerda, acima da boca, na testa e atrás da cabeça. Eu não escolhi tê-las, elas me vieram ao acaso durante os anos da minha vida. Lembro-me como adquiri cada uma, como doeram. Percebi então que na vida é assim, temos marcas que impostas ao nosso corpo, que não as escolhemos, nem em qual parte do corpo ficaria, que doeram e nos fizeram aprender.

Ensinaram-me, por exemplo, que não se deve brincar com espeto de carne furando o chão, que não se deve brincar rodando palha de aço com bermuda curta, que não se deve moer folha de papel e se o objeto ficar engasgado no moedor de cana nunca devemos enfiar a mão para tentar empurrá-lo, que jamais devemos atravessar a rua durante o sinal verde (ainda mais a Av. Anhanguera), que não se deve durante os primeiros anos de vida puxar o cabo do ferro de passar roupa com ele quente e nem brincar de pique-pega usando um chinelo escorregadio na casa de nossas avós.

É, aprendi. Aprendi que na vida vamos colecionando ensinamentos que vêm pela dor, e que esses são os piores, pois não se teve escolha de sofrer ou não. Esses sinais em nossos corpos são profundos também, mas há outras marcas corporais que são mais fashions: as tatuagens. Essas sim, são coloridas, do tamanho e formato que eu quiser, escolho a parte do corpo em que eu prefiro e ela me faz sentir mais ‘bonito’.

Alguns dizem que a dor de se fazer tatuagem é tão excitante que vicia e não se consegue fazer somente uma e assim se preenche o corpo com elas. Os desenhos então são os mais diferentes possíveis, posso fazer homenagens, desenhar o escudo do meu time, animais, elementos da natureza e até a foto de alguém amado. Eu não, ainda não tenho tatuagem, não tive coragem ainda. Isso mesmo coragem, diferente da cicatriz a tatuagem só é feita com uma decisão pensada (ou às vezes não) e o mais importante deve-se ter ‘peito’ para assumir as consequências já que essa marca vai me acompanhar até o fim dos meus dias.

Percebi então que na vida a relação com as pessoas é assim, familiares são cicatrizes, não os escolho, aprendo a viver com. Já os nossos amores são tatuagens, escolhidos com coragem capaz de poder assumi-los até o fim da vida. Mas e se a escolha foi equivocada ou se não tiver peito para assumir todas as consequências de se viver com esta pessoa? É fácil, é só tentar algumas sessões com laser corretivo, as sensações são as mesmas: doe bastante para tentar tirar, leva-se tempo pois são várias sessões e nunca sai completamente. Posso até fazer outra tatuagem em cima, mas entre ela e a pele vão sempre estar vestígios da outra marca.


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